{"id":1324,"date":"2026-02-20T10:42:00","date_gmt":"2026-02-20T10:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/f4sd.org.mz\/?p=1324"},"modified":"2026-03-06T10:36:21","modified_gmt":"2026-03-06T10:36:21","slug":"o-capital-humano-da-juventude-entre-a-precariedade-e-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/f4sd.org.mz\/?p=1324","title":{"rendered":"O Capital Humano da Juventude: Entre a Precariedade e a Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>Por F. Ant\u00f3nio Souto<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas que defendo que o maior recurso de Mo\u00e7ambique n\u00e3o est\u00e1 debaixo da terra, mas sentado nas salas de aula, nos mercados informais, nos estaleiros de obras, nos centros urbanos que crescem para l\u00e1 da capacidade municipal. N\u00e3o s\u00e3o o g\u00e1s, o carv\u00e3o ou os megaprojectos que determinar\u00e3o o futuro do pa\u00eds: <strong>\u00e9 a qualidade humana e c\u00edvica da juventude<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta afirma\u00e7\u00e3o exige ser confrontada com o pa\u00eds real. E exige igualmente clarificar o que entendo por \u201ccapital humano\u201d no presente contexto pol\u00edtico, social e econ\u00f3mico de Mo\u00e7ambique.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. O que est\u00e1 em causa quando falamos de \u201ccapital humano\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o \u201ccapital humano\u201d tem sido usada, em certos c\u00edrculos acad\u00e9micos, pol\u00edticos e empresariais, para atribuir ao indiv\u00edduo responsabilidades que pertencem ao sistema econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Particularmente ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es de Outubro 2024, quando milhares de jovens mostraram que a energia que possuem pode tanto construir como incendiar o pa\u00eds percebi a urg\u00eancia de revisitar criticamente o conceito de \u201ccapital humano\u201d e a reconhecer que, sem uma clarifica\u00e7\u00e3o do conceito e das pol\u00edticas, corre-se o risco de esconder responsabilidades estruturais, culpar o indiv\u00edduo jovem pelos fracassos do sistema e transformar desigualdades sociais em aparentes problemas de m\u00e9rito individual. Conclui que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>o desemprego n\u00e3o se resolve apenas com \u201cmelhor qualifica\u00e7\u00e3o\u201d;<\/li>\n\n\n\n<li>a meritocracia serve muitas vezes para mascarar desigualdades estruturais;<\/li>\n\n\n\n<li>transformar cada pessoa numa \u201cempresa de si pr\u00f3pria\u201d cria ansiedade, precariedade e isolamento.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Por isso, n\u00e3o uso<strong> \u201ccapital humano\u201d <\/strong>no sentido empresarial de fator de produ\u00e7\u00e3o, mas no seu sentido <strong>social e nacional<\/strong>: o conjunto de capacidades, \u00e9tica, energia c\u00edvica e potencial criativo que o pa\u00eds precisa de valorizar, organizar e orientar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mo\u00e7ambique n\u00e3o pode importar juventude, nem a substituir por m\u00e1quinas ou megaprojectos. Este \u00e9 o nosso recurso vital. Mas s\u00f3 ser\u00e1 capital se for cultivado \u2014 como se cultiva uma terra f\u00e9rtil \u2014 e n\u00e3o apenas esperado, como se espera por uma mina de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. O questionamento essencial: que juventude \u00e9 essa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O soci\u00f3logo Jo\u00e3o Feij\u00f3 formulou uma pergunta que muitos t\u00eam medo de fazer:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Como pode esta juventude, no actual sistema educativo, ambiente de neg\u00f3cios, infraestruturas e cen\u00e1rio regional, constituir o maior capital mo\u00e7ambicano?\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este questionamento \u00e9 pertinente porque:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O territ\u00f3rio mo\u00e7ambicano deixou de ser fornecedor de m\u00e3o-de-obra (sobretudo jovens) para as minas da \u00c1frica do Sul, que foi at\u00e9 h\u00e1 poucas d\u00e9cadas uma das principais fontes de entrada de divisas.<\/li>\n\n\n\n<li>A juventude concentra-se nas franjas periurbanas, onde as infraestruturas colapsam.<\/li>\n\n\n\n<li>O emprego formal j\u00e1 n\u00e3o absorve nem 5% dos 500 mil jovens que entram no mercado de trabalho todos os anos.<\/li>\n\n\n\n<li>O resto sobrevive na informalidade e, cada vez mais, em actividades ilegais sem prote\u00e7\u00e3o social.<\/li>\n\n\n\n<li>Sentem-se exclu\u00eddos, frustrados e tentados por discursos populistas que prometem ruturas r\u00e1pidas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Este diagn\u00f3stico \u00e9 duro. Mas \u00e9 real.<br>E torna ainda mais urgente a pergunta: <strong>como transformar este quadro numa for\u00e7a construtiva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A juventude \u00e9 o maior capital mo\u00e7ambicano <strong>n\u00e3o pelo que j\u00e1 \u00e9<\/strong>, mas pelo que <strong>pode vir a ser<\/strong> \u2014 se as lideran\u00e7as nacionais tiverem coragem de transformar precariedade em capacidade e energia dispersa em projeto nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. O colapso silencioso das compet\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um problema que n\u00e3o podemos contornar: a qualidade da educa\u00e7\u00e3o degradou-se.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Muitos chegam \u00e0 universidade sem racioc\u00ednio l\u00f3gico b\u00e1sico.<\/li>\n\n\n\n<li>H\u00e1 jovens licenciados que n\u00e3o sabem interpretar um texto ou escrever um relat\u00f3rio.<\/li>\n\n\n\n<li>O ensino t\u00e9cnico-profissional \u00e9 insuficiente e desarticulado das necessidades reais do pa\u00eds.<\/li>\n\n\n\n<li>A matem\u00e1tica elementar, que deveria ser a base de pensamento estruturado, falha logo no ensino prim\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Neste contexto, dizer aos jovens \u201csejam empreendedores\u201d sem lhes dar ferramentas \u00e9 cinismo.<br>E dizer \u201cprocurem m\u00e9rito\u201d num mercado sem portas abertas \u00e9 empurr\u00e1-los para a frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, repito:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A empregabilidade \u00e9 m\u00e9rito, n\u00e3o milagre \u2014 mas o m\u00e9rito s\u00f3 existe quando o pa\u00eds cria condi\u00e7\u00f5es para o trabalho digno.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. As armadilhas que destroem o potencial da juventude<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A juventude mo\u00e7ambicana tem energia, criatividade e ambi\u00e7\u00e3o.<br>Mas enfrenta um ambiente que a desorienta:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cultura elitista<\/strong> que despreza quem n\u00e3o tem \u201ccanudo\u201d. A educa\u00e7\u00e3o deve aproximar e servir, n\u00e3o afastar e distinguir<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Poder pol\u00edtico que promete rupturas m\u00e1gicas<\/strong> como solu\u00e7\u00e3o para problemas complexos. N\u00e3o se conhecem solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas que substituam o trabalho disciplinado, o conhecimento e a \u00e9tica. A viol\u00eancia nunca construiu prosperidade.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tribalismo, moralismo religioso e racismo subtil<\/strong>, usados para manipular. Isso fere a unidade nacional e mata a racionalidade. Os l\u00edderes e as institui\u00e7\u00f5es nacionais devem actuar de forma que a juventude seja a ponte entre as nossas diferen\u00e7as, n\u00e3o um espelho delas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Redes sociais que recompensam impulsos<\/strong>, n\u00e3o reflex\u00e3o. As redes sociais tornaram-se espa\u00e7os de poder e tamb\u00e9m de engano. Muitos jovens confundem opini\u00e3o com conhecimento, curtidas com m\u00e9rito, emo\u00e7\u00e3o com verdade. A pressa de reagir substitui a vontade de pensar. No processo de desenvolvimento do capital humano \u00e9 urgente estimular a juventude a saber comunicar com consci\u00eancia e verificar antes de partilhar.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>A<\/strong> <strong>nega\u00e7\u00e3o do debate aberto, \u00e9 <\/strong>a tend\u00eancia crescente de rejeitar quem pensa diferente, de gritar em vez de argumentar. Mas sem pluralismo, a democracia apodrece.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"6\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Uso indevido da heran\u00e7a de passados heroicos<\/strong> como se fosse t\u00edtulo vital\u00edcio de m\u00e9rito. A hist\u00f3ria inspira, mas n\u00e3o legitima privil\u00e9gios.<br>Cada gera\u00e7\u00e3o tem de provar a sua utilidade atrav\u00e9s do trabalho e da integridade<\/li>\n\n\n\n<li><strong>ONGs e OSFL oportunistas<\/strong> que transformam \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d num neg\u00f3cio de curto prazo. Fogem ao fisco, n\u00e3o criam compet\u00eancias reais nem oportunidades duradouras, deixando atr\u00e1s apenas relat\u00f3rios e fotografias de eventos. Criam expectativas irreais entre os jovens e consomem recursos que deviam servir para fortalecer institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e programas sustent\u00e1veis.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Estas armadilhas n\u00e3o s\u00e3o apenas comportamentos individuais \u2014 s\u00e3o <strong>mecanismos que corroem silenciosamente o potencial humano da nossa juventude<\/strong>, desviando-a da criatividade, do m\u00e9rito e do servi\u00e7o p\u00fablico.<br>E destroem a capacidade de a juventude ser for\u00e7a econ\u00f3mica e c\u00edvica de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. O que \u00e9 preciso fazer: institui\u00e7\u00f5es, \u00e9tica e projeto nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aqui que entra a parte propositiva \u2014 aquela que aprendi pelo trabalho de d\u00e9cadas no sector do desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mo\u00e7ambique precisa de:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, previs\u00edveis e com \u00e9tica p\u00fablica;<\/li>\n\n\n\n<li>Ensino b\u00e1sico que ensine a pensar, e n\u00e3o apenas a decorar;<\/li>\n\n\n\n<li>Ensino t\u00e9cnico-profissional robusto, ligado \u00e0 ind\u00fastria, agricultura e servi\u00e7os reais;<\/li>\n\n\n\n<li>Programas de cr\u00e9dito e capacita\u00e7\u00e3o que combinem capacita\u00e7\u00e3o, financiamento, acompanhamento e monitoria;<\/li>\n\n\n\n<li>Uma estrat\u00e9gia nacional para transformar informalidade em empreendedorismo produtivo;<\/li>\n\n\n\n<li>Incentivos para que o m\u00e9rito n\u00e3o seja ultrapassado pelo <em>nhonguismo<\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 teoria:<br>\u00c9 a li\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de quem, na concep\u00e7\u00e3o da Gapi h\u00e1 35 anos, defendeu que n\u00e3o h\u00e1 financiamento de desenvolvimento sem desenvolvimento de compet\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. Uma vis\u00e3o poss\u00edvel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A juventude s\u00f3 ser\u00e1 o maior capital mo\u00e7ambicano se o pa\u00eds:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>cuidar das suas compet\u00eancias,<\/li>\n\n\n\n<li>fortalecer as suas institui\u00e7\u00f5es,<\/li>\n\n\n\n<li>criar oportunidades verdadeiras,<\/li>\n\n\n\n<li>cultivar \u00e9tica p\u00fablica,<\/li>\n\n\n\n<li>e orientar a energia juvenil para o pa\u00eds real \u2014 n\u00e3o para ilus\u00f5es de rupturas f\u00e1ceis.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A alternativa \u00e9 conhecida: <strong>precariedade, populismo e instabilidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>E h\u00e1 um ponto crucial: <strong>os que se formam e assumem posi\u00e7\u00f5es de responsabilidade devem saber negociar e defender os interesses nacionais.<\/strong><br>Como escrevi noutro contexto, <em>\u201ca soberania econ\u00f3mica come\u00e7a na capacidade e \u00e9tica de quem nos representa.\u201d<\/em><br>Um t\u00e9cnico competente que se vende por conveni\u00eancia pessoal destr\u00f3i mais do que um ignorante.<br>A escolha \u00e9 nossa.<br>E n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica.<br>\u00c9 hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>7. Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O maior erro seria desistirmos da juventude porque ainda n\u00e3o \u00e9 o que deveria ser.<\/p>\n\n\n\n<p>O que defendo \u00e9 simples:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A juventude \u00e9 o nosso maior capital porque \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o se esgota \u2014 e o \u00fanico que pode reconstruir Mo\u00e7ambique.<\/strong><br>Mas esse capital s\u00f3 floresce quando h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es, \u00e9tica e oportunidades reais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 este o debate que Mo\u00e7ambique precisa de ter \u2014 sem medo, sem ilus\u00f5es e sem slogans. Este debate sobre o capital humano n\u00e3o \u00e9 apenas te\u00f3rico. \u00c9 pol\u00edtico. Entre a ideologia do m\u00e9rito individual e o realismo da precariedade, Mo\u00e7ambique precisa de uma via pr\u00f3pria<strong>: institui\u00e7\u00f5es que transformem energia juvenil em capacidade produtiva e social<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A juventude \u00e9 o maior capital mo\u00e7ambicano n\u00e3o porque o mercado o reconhe\u00e7a, mas porque sem ela o pa\u00eds n\u00e3o ter\u00e1 futuro.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>O presente artigo da autoria do economista F. Ant\u00f3nio Souto \u00e9 uma actualiza\u00e7\u00e3o da sua interven\u00e7\u00e3o na palestra que orientou na Universidade T\u00e9cnica de Mo\u00e7ambique no dia 11 de Novembro de 2025<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por F. 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