{"id":1308,"date":"2026-02-06T11:32:00","date_gmt":"2026-02-06T11:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/f4sd.org.mz\/?p=1308"},"modified":"2026-03-06T10:37:23","modified_gmt":"2026-03-06T10:37:23","slug":"mocambique-e-os-desafios-para-negociar-o-seu-proprio-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/f4sd.org.mz\/?p=1308","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique e os Desafios para Negociar o Seu Pr\u00f3prio Futuro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A soberania econ\u00f3mica come\u00e7a na capacidade e \u00e9tica de quem nos representa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Ant\u00f3nio Souto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com este texto concluo uma s\u00e9rie de cinco artigos sob o tema Repensar Estrat\u00e9gias de Desenvolvimento, que iniciei h\u00e1 v\u00e1rios semanas no seman\u00e1rio Savana. O prop\u00f3sito sempre foi o mesmo: contribuir para um debate sereno, informado e construtivo sobre o futuro de Mo\u00e7ambique.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ao longo desta s\u00e9rie procurei revisitar a nossa trajet\u00f3ria econ\u00f3mica e institucional desde a independ\u00eancia, analisando os sucessivos ciclos \u2014 o da planifica\u00e7\u00e3o centralizada, o da liberaliza\u00e7\u00e3o acelerada (as chamadas terapias de choque) e o das medidas p\u00f3s-d\u00edvidas ocultas em busca da retoma de uma economia ainda dependente \u2014 mas sempre com a mesma pergunta de fundo: por que raz\u00e3o, cinquenta anos depois, ainda n\u00e3o conseguimos transformar o crescimento em desenvolvimento inclusivo e partilhado?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>UM DEBATE \u00c0 ALTURA DOS 50 ANOS DE INDEPEND\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ocasi\u00e3o para encerrar esta reflex\u00e3o foi particularmente simb\u00f3lica. Refiro-me \u00e0 Confer\u00eancia Anual do Observat\u00f3rio do Meio Rural (OMR), realizada a 7 de outubro em Maputo, dedicada aos 50 anos de independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um espa\u00e7o de debate vivo, com vozes diversas, olhares cr\u00edticos e esperan\u00e7a no futuro. Entre essas vozes, destacou-se a do Dr. Joseph Hanlon, autor de dezenas de estudos sobre Mo\u00e7ambique, que se perguntou se o pa\u00eds poderia evitar uma \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Jacarand\u00e1s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua palestra \u2014 densa, informada e frontal \u2014 tra\u00e7ou um quadro duro do presente e projetou a inquieta\u00e7\u00e3o de um futuro incerto. Hanlon lembrou que os sistemas pol\u00edticos perdem legitimidade quando deixam de ouvir o seu povo. Falou da Rom\u00e9nia, do Bangladesh e do Zimbabwe, comparando-os a Mo\u00e7ambique.<\/p>\n\n\n\n<p>Exp\u00f4s as desigualdades crescentes, a concentra\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f3mico e a frustra\u00e7\u00e3o dos jovens. E perguntou se estar\u00edamos n\u00f3s a caminho de uma ruptura semelhante. No seu entender, o pa\u00eds corre o risco de ver nascer uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, mas inevit\u00e1vel, se continuar a ignorar os sinais de exaust\u00e3o moral e pol\u00edtica. Chamou-lhe \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Jacarand\u00e1s\u201d \u2014 s\u00edmbolo de ruptura, mas tamb\u00e9m de renascimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ENTRE A CR\u00cdTICA EXTERNA E A RESPONSABILIDADE NACIONAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o partilho de todos os seus ju\u00edzos, mas reconhe\u00e7o a import\u00e2ncia das suas advert\u00eancias. Hanlon enfatiza o papel destrutivo das pol\u00edticas impostas de fora \u2014 do FMI, do Banco Mundial e dos grandes doadores internacionais \u2014 e mostra como essas institui\u00e7\u00f5es moldaram, ao longo de d\u00e9cadas, uma economia dependente e uma elite cooptada.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa leitura cont\u00e9m muito de verdadeiro, mas n\u00e3o \u00e9 toda a verdade. As responsabilidades externas existem, mas n\u00e3o explicam tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A meu ver, \u00e9 preciso reconhecer de forma mais expl\u00edcita a responsabilidade nacional. Foram dirigentes mo\u00e7ambicanos que aceitaram, executaram e muitas vezes beneficiaram dessas pol\u00edticas. Foram eles que conduziram privatiza\u00e7\u00f5es mal preparadas, alimentaram esquemas de corrup\u00e7\u00e3o e contra\u00edram d\u00edvidas ruinosas em nome do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>As press\u00f5es externas existiram e continuam a existir. Mas a falta de capacidade interna para as negociar \u00e9 que as tornou devastadoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u201cMAR ALTO E TORMENTOSO\u201d DE NYERERE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na confer\u00eancia, uma das interven\u00e7\u00f5es que mais me marcou foi a recorda\u00e7\u00e3o feita pelo fil\u00f3sofo Severino Ngwenha, ao evocar as palavras de Julius Nyerere poucos dias ap\u00f3s a nossa independ\u00eancia. Nyerere avisou que Mo\u00e7ambique iria atravessar \u201cum mar alto e tormentoso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Meio s\u00e9culo depois, continuamos nesse mar, procurando equil\u00edbrio entre ondas de esperan\u00e7a e tempestades de desilus\u00e3o. Ngwenha dizia que esta travessia s\u00f3 se tornar\u00e1 mais segura quando aprendermos a navegar melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>E navegar melhor, no contexto de hoje, significa negociar melhor \u2014 com lucidez, com prepara\u00e7\u00e3o e com uma consci\u00eancia firme do que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Negociar n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnica, \u00e9 soberania. O que falta a Mo\u00e7ambique, mais do que recursos ou planos, \u00e9 capacidade negocial nacional: mais dirigentes p\u00fablicos capazes de ler um contrato, compreender as implica\u00e7\u00f5es financeiras de uma cl\u00e1usula, antever riscos e defender os interesses do pa\u00eds com firmeza e vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Falo de negocia\u00e7\u00e3o em sentido amplo \u2014 com parceiros externos e tamb\u00e9m dentro de casa, entre Estado e sociedade. Sem essa capacidade, acabamos por aceitar condi\u00e7\u00f5es impostas e perder a margem de manobra que define a independ\u00eancia real assente numa forte coes\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GEOPOL\u00cdTICA E LIDERAN\u00c7A COM CORAGEM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o painel que coordenei, intitulado \u201cDesenvolvimento e geopol\u00edtica, pol\u00edticas p\u00fablicas e investimento externo e crescimento econ\u00f3mico\u201d, defendi que o desenvolvimento deixou de ser apenas um assunto interno. Hoje \u00e9 profundamente condicionado pela geopol\u00edtica global.<\/p>\n\n\n\n<p>As disputas por recursos estrat\u00e9gicos, o reposicionamento das grandes pot\u00eancias, as novas rotas do com\u00e9rcio e da energia, e a reconfigura\u00e7\u00e3o das cadeias de valor est\u00e3o a redefinir oportunidades e riscos. Para pa\u00edses como Mo\u00e7ambique, isso exige Estados com vis\u00e3o, capacidade negocial e coer\u00eancia nas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos convidados, o professor Fernando Jorge Cardoso, resumiu a quest\u00e3o: \u201c\u00c9 preciso que os nossos dirigentes estejam tecnicamente capacitados e, sobretudo, tenham vontade pol\u00edtica firme de proteger os interesses nacionais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa frase traduz uma verdade simples e dura: n\u00e3o basta ter programas, <strong>\u00e9 preciso ter quem saiba e queira defend\u00ea-lo<\/strong>s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u00c9TICA E O CONHECIMENTO COMO ARMAS DE SOBERANIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 50 anos acumul\u00e1mos fragilidades que se repetem: acordos mal negociados, contratos sem transpar\u00eancia, megaprojetos que prometem desenvolvimento e deixam atr\u00e1s de si depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome da moderniza\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds foi cedendo controlo sobre os seus pr\u00f3prios recursos \u2014 minerais, energ\u00e9ticos, financeiros. O resultado \u00e9 um Estado que se endivida para financiar projetos de outros e elites nacionais e estrangeiras que prosperam sem produzir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 do senso comum que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um cancro s\u00e9rio e espalhado. Mas, o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na corrup\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 tamb\u00e9m na fragiliza\u00e7\u00e3o e imprepara\u00e7\u00e3o institucional de importantes entidades p\u00fablicas e na aus\u00eancia de cultura de negocia\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprender a negociar n\u00e3o \u00e9 desconfiar do mundo. \u00c9 participar nele em p\u00e9 de igualdade. Quando Mo\u00e7ambique se senta \u00e0 mesa com o FMI, com um banco de desenvolvimento ou com uma multinacional, deveria saber faz\u00ea-lo com a mesma prepara\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a que o interlocutor.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso requer investimento em quadros p\u00fablicos, universidades alinhadas com as necessidades reais da governa\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o acima das fronteiras partid\u00e1rias. Precisamos de formar negociadores p\u00fablicos \u2014 economistas, juristas, gestores e diplomatas \u2014 que conhe\u00e7am o valor do pa\u00eds e saibam traduzi-lo em compromissos sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos tamb\u00e9m de mudar o modo como exercemos o poder. A negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnica, \u00e9 \u00e9tica. Quem negoceia em nome de Mo\u00e7ambique tem de ter m\u00e3os e consci\u00eancia limpas.<\/p>\n\n\n\n<p>Negociar bem exige integridade e coragem: a coragem de dizer n\u00e3o, quando \u00e9 preciso; de adiar um contrato, quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o injustas; e de explicar ao povo porque se tomou uma decis\u00e3o dif\u00edcil. A lideran\u00e7a que o pa\u00eds precisa \u00e9 a que combina compet\u00eancia t\u00e9cnica com coragem moral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>APRENDER A GOVERNAR O LEME<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos erros do passado nasceram de decis\u00f5es tomadas com pressa, sem estudo e sem debate. Os termos impostos nos programas de ajustamento estrutural \u2014 em especial as privatiza\u00e7\u00f5es dos bancos \u2014 resultaram da arrog\u00e2ncia de institui\u00e7\u00f5es internacionais perante a fragilidade de um Governo sem recursos, gerindo uma economia destru\u00edda pela guerra por procura\u00e7\u00e3o que nos foi imposta. Ainda pagamos caro por essa submiss\u00e3o e pela imprepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, outros erros foram cometidos j\u00e1 neste s\u00e9culo, quando o entusiasmo pelos megaprojetos eclipsou a prud\u00eancia e a no\u00e7\u00e3o de que recursos naturais n\u00e3o significam desenvolvimento garantido.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuamos a confundir assinatura de contratos e folclore de inaugura\u00e7\u00f5es com progresso e promessa de investimento com prosperidade. N\u00e3o \u00e9 assim que se constr\u00f3i soberania.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, ao celebrar meio s\u00e9culo de independ\u00eancia, dever\u00edamos fazer um balan\u00e7o honesto. Os progressos existem, mas continuam fr\u00e1geis. H\u00e1 mais alfabetizados, mas o n\u00famero de pobres est\u00e1 a crescer; h\u00e1 mais escolas, mas h\u00e1 mais pais sem condi\u00e7\u00f5es de manterem os seus filhos nas escolas nem conseguirem adquirir a cesta b\u00e1sica de seguran\u00e7a alimentar da fam\u00edlia; h\u00e1 cada vez mais projectos mineiros e investimentos em neg\u00f3cios de exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, mas h\u00e1 cada vez mais jovens que n\u00e3o conseguem um emprego formal. H\u00e1 cada vez mais jovens abandonados nas ruas das cidades e nas aldeias de todo o pa\u00eds que, como seres humanos com a vitalidade da juventude est\u00e3o determinados a buscar algo diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos quatro anteriores artigos analisei os diferentes desafios desde a gera\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, falei da quest\u00e3o central da gera\u00e7\u00e3o de emprego, dos problemas do sistema financeiro pouco inclusivo, da urg\u00eancia de uma vis\u00e3o mais articulada para o desenvolvimento do capital humano. Saber navegar no \u201cmar alto e tormentoso\u201d que esses desafios exigem \u00e9 o nosso destino que precisa de lideran\u00e7as capazes de com humildade querer aprender a governar o leme.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A VERDADEIRA REVOLU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gosto de pensar que uma parte da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Jacarand\u00e1s\u201d de que fala Hanlon pode ser entendida n\u00e3o como um colapso, mas como uma viragem de consci\u00eancia. Uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, feita de exig\u00eancia c\u00edvica, de lideran\u00e7a respons\u00e1vel e de juventude informada.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o que substitua a depend\u00eancia pela compet\u00eancia, a submiss\u00e3o pela negocia\u00e7\u00e3o e o medo pelo di\u00e1logo. Essa seria, de facto, a revolu\u00e7\u00e3o de que Mo\u00e7ambique precisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Concluo esta s\u00e9rie com duas convic\u00e7\u00f5es simples: Sem maior capacidade negocial nacional \u2014 t\u00e9cnica, \u00e9tica e pol\u00edtica \u2014 n\u00e3o haver\u00e1 desenvolvimento. A \u00e9tica \u00e9 o primeiro passo da reconstru\u00e7\u00e3o do Estado: sem \u00e9tica, n\u00e3o h\u00e1 soberania; sem soberania, n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento; e sem desenvolvimento inclusivo, n\u00e3o h\u00e1 liberdade verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>A independ\u00eancia conquistou-se com armas. A soberania econ\u00f3mica s\u00f3 se conquistar\u00e1 com conhecimento e car\u00e1cter. E talvez essa seja a verdadeira travessia que nos espera \u2014 n\u00e3o a de um mar calmo, mas a de um povo que aprendeu, finalmente, a negociar o seu pr\u00f3prio futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado no\u00a0<em>Savana<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 1657<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A soberania econ\u00f3mica come\u00e7a na capacidade e \u00e9tica de quem nos representa. Por Ant\u00f3nio Souto Com este texto concluo uma s\u00e9rie de cinco artigos sob o tema Repensar Estrat\u00e9gias de Desenvolvimento, que iniciei h\u00e1 v\u00e1rios semanas no seman\u00e1rio Savana. O prop\u00f3sito sempre foi o mesmo: contribuir para um debate sereno, informado e construtivo sobre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1311,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[77],"tags":[],"class_list":["post-1308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1309,"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1308\/revisions\/1309"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/f4sd.org.mz\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}