{"id":1230,"date":"2025-11-28T11:11:00","date_gmt":"2025-11-28T11:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/f4sd.org.mz\/?p=1230"},"modified":"2026-03-06T10:41:08","modified_gmt":"2026-03-06T10:41:08","slug":"do-donativo-a-parceria-o-novo-paradigma-da-ajuda-ao-desenvolvimento-e-o-desafio-para-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/f4sd.org.mz\/?p=1230","title":{"rendered":"Do \u201cDonativo\u201d \u00e0 Parceria: O Novo Paradigma da Ajuda ao Desenvolvimento e o Desafio para Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"\n<p>Este artigo \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do primeiro texto publicado neste mesmo site, intitulado \u201cDo Consenso de Monterrey ao Compromisso de Sevilha: Um Novo Rumo para o Desenvolvimento de Mo\u00e7ambique\u201d. Agora, nesta segunda parte \u2014 \u201cDo \u2018Donativo\u2019 \u00e0 Parceria: O Novo Paradigma da Ajuda ao Desenvolvimento e o Desafio para Mo\u00e7ambique\u201d \u2014 aprofunda-se a reflex\u00e3o sobre as mudan\u00e7as globais na coopera\u00e7\u00e3o internacional e os desafios que Mo\u00e7ambique enfrenta ao transitar de uma l\u00f3gica de depend\u00eancia para uma abordagem de parceria estrat\u00e9gica&nbsp;e&nbsp;sustent\u00e1vel. Nas pr\u00f3ximas semanas, ser\u00e3o publicados mais dois textos que complementam esta an\u00e1lise, propondo solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, exemplos locais e recomenda\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas para refor\u00e7ar a autonomia e o impacto da coopera\u00e7\u00e3o internacional no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Do \u201cDonativo\u201d \u00e0 Parceria: O Novo Paradigma da Ajuda ao Desenvolvimento e o Desafio para Mo\u00e7ambique<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mo\u00e7ambique, como muitos outros pa\u00edses africanos, construiu grande parte do seu percurso de desenvolvimento nas \u00faltimas d\u00e9cadas com o apoio da <strong>ajuda externa<\/strong> vinda de diferentes parceiros: Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, pa\u00edses n\u00f3rdicos, ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas, institui\u00e7\u00f5es multilaterais, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ajuda tem sido decisiva em \u00e1reas fundamentais como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, infraestruturas, seguran\u00e7a alimentar e, mais recentemente, combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Mas este modelo \u2014 baseado numa rela\u00e7\u00e3o doador-benefici\u00e1rio \u2014 est\u00e1 a sofrer uma <strong>transforma\u00e7\u00e3o profunda em todo o mundo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta que se imp\u00f5e hoje \u00e9: <strong>como pode Mo\u00e7ambique adaptar-se a esta nova era em que a ajuda est\u00e1 a diminuir e as expectativas est\u00e3o a mudar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um Novo Tempo para a Coopera\u00e7\u00e3o Internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A coincid\u00eancia n\u00e3o podia ser mais simb\u00f3lica: enquanto l\u00edderes mundiais reuniam-se em Sevilha na <strong>4\u00aa Confer\u00eancia sobre Financiamento para o Desenvolvimento<\/strong> para debater um novo quadro global de financiamento, os Estados Unidos anunciavam formal e oficialmente o <strong>encerramento da USAID<\/strong> e o lan\u00e7amento de uma nova estrat\u00e9gia denominada <strong>\u201cMaking Foreign Aid Great Again\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um caso temporalmente isolado. V\u00e1rios parceiros europeus, historicamente entre os maiores financiadores do desenvolvimento em \u00c1frica, est\u00e3o desde h\u00e1 tempos a:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Reduzir os seus or\u00e7amentos de ajuda p\u00fablica ao desenvolvimento<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Rever prioridades, exigindo mais impacto, mais transpar\u00eancia e maior participa\u00e7\u00e3o do setor privado<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Condicionar os apoios a compromissos ambientais, direitos humanos e governa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O mundo caminha rapidamente para um modelo em que o \u201c<strong>donativo\u201d<\/strong> sem exig\u00eancias est\u00e1 a dar lugar a <strong>\u201cparcerias baseadas em resultados\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As Novas Regras do Jogo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses doadores est\u00e3o a dizer, cada vez mais abertamente:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>N\u00e3o basta ajudar; \u00e9 preciso ter retorno, seja em termos geopol\u00edticos, comerciais ou de estabilidade global<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Os pa\u00edses benefici\u00e1rios devem demonstrar capacidade pr\u00f3pria para gerir recursos, mobilizar investimento interno e promover crescimento sustent\u00e1vel<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>As ajudas devem ser tempor\u00e1rias, catalisadoras e n\u00e3o permanentes ou geradoras de depend\u00eancia<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u00c9 dentro deste novo quadro que Mo\u00e7ambique deve refletir sobre o seu posicionamento internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mo\u00e7ambique: De Benefici\u00e1rio a Parceiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para continuar a atrair apoio externo e \u2014 sobretudo \u2014 para se afirmar como destino de <strong>investimento sustent\u00e1vel<\/strong>, Mo\u00e7ambique precisa de dar passos decisivos em tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Refor\u00e7ar a boa governa\u00e7\u00e3o<\/strong>, particularmente nas institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas e empresas paraestatais, para garantir transpar\u00eancia, efici\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Apostar em modelos de financiamento misto<\/strong>, combinando recursos p\u00fablicos, privados e internacionais, com foco em setores estrat\u00e9gicos como agricultura, energias renov\u00e1veis, industrializa\u00e7\u00e3o ligeira e digitaliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Investir em institui\u00e7\u00f5es nacionais s\u00f3lidas e inovadoras<\/strong>, capazes de transformar fundos em resultados concretos para a economia real e para as popula\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>O Exemplo da Gapi-Sociedade de Investimentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, Mo\u00e7ambique tem bases s\u00f3lidas sobre as quais pode construir esta transi\u00e7\u00e3o. A <strong>Gapi-Sociedade de Investimentos<\/strong> \u00e9 uma dessas institui\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia que ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas tem vindo a:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Promover o empreendedorismo e o investimento em pequenas e m\u00e9dias empresas;<\/li>\n\n\n\n<li>Apoiar o desenvolvimento rural e a inclus\u00e3o financeira;<\/li>\n\n\n\n<li>Criar solu\u00e7\u00f5es inovadoras para financiamento produtivo;<\/li>\n\n\n\n<li>Adoptar uma metodologia de interven\u00e7\u00e3o hol\u00edstica centrada no empreendedor combinando capacita\u00e7\u00e3o, financiamento e desenvolvimento institucional.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A credibilidade da Gapi resulta n\u00e3o apenas da sua miss\u00e3o social, mas tamb\u00e9m da sua <strong>governa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e da capacidade de produzir impacto tang\u00edvel<\/strong>, valores que hoje se tornaram essenciais para mobilizar qualquer tipo de apoio externo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma Viragem Global com Reflexos Locais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A coincid\u00eancia entre o encerramento da USAID e a realiza\u00e7\u00e3o da <strong>4\u00aa Cimeira sobre Financiamento para o Desenvolvimento<\/strong> revela uma verdade maior: <strong>o mundo da coopera\u00e7\u00e3o internacional est\u00e1 em transforma\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A era das ajudas incondicionais est\u00e1 a chegar ao fim. O futuro ser\u00e1 feito de <strong>parcerias baseadas em confian\u00e7a m\u00fatua, boa governa\u00e7\u00e3o, investimentos de impacto e valoriza\u00e7\u00e3o do capital humano local<\/strong>. Mo\u00e7ambique deve preparar-se para esta nova realidade, n\u00e3o como uma v\u00edtima da mudan\u00e7a, mas como <strong>protagonista de um novo pacto de desenvolvimento<\/strong> \u2014 com institui\u00e7\u00f5es robustas, capacidade de atrair investimento e foco na transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica inclusiva<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"559\" src=\"https:\/\/f4sd.org.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Image_fx-20-1024x559.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1232\" srcset=\"https:\/\/f4sd.org.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Image_fx-20-1024x559.png 1024w, https:\/\/f4sd.org.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Image_fx-20-300x164.png 300w, https:\/\/f4sd.org.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Image_fx-20-768x419.png 768w, https:\/\/f4sd.org.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Image_fx-20-600x327.png 600w, https:\/\/f4sd.org.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Image_fx-20.png 1408w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do primeiro texto publicado neste mesmo site, intitulado \u201cDo Consenso de Monterrey ao Compromisso de Sevilha: Um Novo Rumo para o Desenvolvimento de Mo\u00e7ambique\u201d. 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